Depois de muito tempo sem postar nada (desde março!), volto para avisar que irei reformular o blog, trazendo temáticas mais abrangentes e não só voltados para a literatura.
Aguarde...
domingo, 23 de setembro de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Um pouco de poesia - Especial
Hoje é o dia nacional da poesia! Para não passar em branco, escolhi algumas poesias que retratam os próprios poetas ou o ato de "poetar". Além disso hoje é aniversário de Castro Alves, o "poeta dos escravos". Confesso que não foi fácil escolher apenas três poesias para essa postagem, sendo que havia tantas a escolher, por exemplo Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana abordaram muito em suas obras o próprio ato de escrever, porém como já abordei sobre Drummond de Andrade (e depois em uma futura postagem irei escrever mais detalhadamente sobre ele) resolvi optar por Quintana, Florbela Espanca (que depois também terão um momento só deles) e Manuel Bandeira também já abordado.
Simultaneidade
- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus!
Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.
Mário Quintana
Poetas
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
O último poema
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Manuel Bandeira
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Gênero Literário: Romance Policial
Para fechar o mês de janeiro, cumpro com a minha promessa e dou início a série "Gênero Literário", com um dos mais populares do mundo: o Romance Policial.
Este gênero literário é caracterizado pela narrativa que gira entorno de um crime a ser resolvido, inicialmente parece não existir solução, porém um dos intuitos desse gênero é mostrar que não existe crime perfeito, ao decorrer do texto surgem à vista do leitor e do protagonista pistas e fatos que podem levar a solução. O protagonista em geral é um detetive, seja profissional ou amador. O antagonista é o criminoso que durante o enredo estará agindo para que não seja descoberto, isso faz com que entre em jogo o psicológico e a história dos personagens.
Um dos primeiros expoentes foi o escritor Edgar Allan Poe, muito conhecido na verdade por suas histórias de terror. Poe escreveu "Assassinatos na Rua Morgue", "A Carta Roubada" e "O Mistério de Marie Rogêt", cujo detetive foi C. Auguste Dupin.
O romance policial tornou-se extremamente popular a partir do final do século XIX e início do século XX, com Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e com Agatha Christie, a Rainha do Crime cujo os personagens mais consagrados foram Hercule Poirot e Miss Marple.
O gênero Romance Policial já foi encarado como sensacionalista e com pouco valor literário. Contudo é inegável dizer que esses livros se eternizaram no meio literário, digamos que a literatura não é a mesma sem esses personagens ilustres e de mentes brilhantes. Cada detetive tem métodos distintos como Sherlock Holmes com o método científico, mas em alguns pontos se interligam como o uso da observação, por exemplo.
Além dos autores já citados iriei citar apenas mais alguns pois são muitos: Raymond Chandler, Dashiell Hammett e Humberto Eco. No Brasil, Jô Soares, Rubem Fonseca e na literatura infanto-juvenil: Pedro Bandeira.
Opinião pessoal: a Literatura Policial é muito extensa e escrevo de que ela chega a ser viciante, porém é claro com o cuidado com as dosagens e formas como analisamos cada obra. Primeiro, não devemos encara-los de olhos fechados, não pense que a criação desse tipo de livro pode ser feita apenas por um grupo seleto de escritores, pelo contrário, uma dosagem de inteligência, observação e saber interligar os fatos não tornam esses autores inumanos. A graça da leitura desses livros é justamente tentar descobrir o final ao decorrer das páginas, mostrar a nós mesmos que também temos mentes aguçadas.
Confesso que sou muito fã de Conan Doyle, adoro Edgar Allan Poe e Agatha Christie. Porém ultimamente tenho me desapontado um pouco com esse gênero, quando se lê muito e passa-se a analisar criticamente parece que a cada novo caso, os desfechos não são mais tão surpreendentes e que não são façanhas de poucos. O próprio Holmes falou em um dos seus casos o que era necessário para ser um bom detetive: observação, dedução e conhecimento.
Este gênero literário é caracterizado pela narrativa que gira entorno de um crime a ser resolvido, inicialmente parece não existir solução, porém um dos intuitos desse gênero é mostrar que não existe crime perfeito, ao decorrer do texto surgem à vista do leitor e do protagonista pistas e fatos que podem levar a solução. O protagonista em geral é um detetive, seja profissional ou amador. O antagonista é o criminoso que durante o enredo estará agindo para que não seja descoberto, isso faz com que entre em jogo o psicológico e a história dos personagens.
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| Edgar Allan Poe |
O romance policial tornou-se extremamente popular a partir do final do século XIX e início do século XX, com Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e com Agatha Christie, a Rainha do Crime cujo os personagens mais consagrados foram Hercule Poirot e Miss Marple.
O gênero Romance Policial já foi encarado como sensacionalista e com pouco valor literário. Contudo é inegável dizer que esses livros se eternizaram no meio literário, digamos que a literatura não é a mesma sem esses personagens ilustres e de mentes brilhantes. Cada detetive tem métodos distintos como Sherlock Holmes com o método científico, mas em alguns pontos se interligam como o uso da observação, por exemplo.
Além dos autores já citados iriei citar apenas mais alguns pois são muitos: Raymond Chandler, Dashiell Hammett e Humberto Eco. No Brasil, Jô Soares, Rubem Fonseca e na literatura infanto-juvenil: Pedro Bandeira.
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| Agatha Christie |
Confesso que sou muito fã de Conan Doyle, adoro Edgar Allan Poe e Agatha Christie. Porém ultimamente tenho me desapontado um pouco com esse gênero, quando se lê muito e passa-se a analisar criticamente parece que a cada novo caso, os desfechos não são mais tão surpreendentes e que não são façanhas de poucos. O próprio Holmes falou em um dos seus casos o que era necessário para ser um bom detetive: observação, dedução e conhecimento.
sábado, 14 de janeiro de 2012
A mente mais brilhante do mundo
Sherlock Holmes, o maior detetive da ficção de todos os tempos e uma das maiores figuras
da literatura universal. Afinal de contas quem nunca ouviu falar nesse nome tão ilustre de
um detetive consultor que na maioria das vezes fazia de suas armas apenas a observação,
a dedução e o conhecimento?
Sherlock Holmes e o doutor John Watson são personagens criados pelo escritor e médico
britânico Sir Arthur Conan Doyle, primeiramente para a história "Um Estudo em Vermelho".
Com o tempo as histórias desta dupla ficaram tão populares que depois da morte do autor, muitos outros escritores começaram a criar novas histórias para preencher o hiato que fora deixado. Para que se pudesse distinguir as histórias desses autores das originais criadas por Conan Doyle, foram reuniram todos os textos no famoso cânone sherlockiano. Nele estão presentes além do "Um Estudo em Vermelho" mais três romances: "O Signo dos Quatro", "O Cão dos Baskervilles" e o "Vale do Terror" e cerca de 56 contos, totalizando 60 casos.
Dono de uma personalidade excêntrica, Sherlock Holmes era solitário, um tanto pouco
arrogante e muito inteligente. Seus disfarces eram perfeitos. Quase sempre era dominado
pela razão invés dos sentimentos. Possuía um vasto conhecimento em vários campos
como por exemplo História e Química. Lutava boxe, sabia manejar alguns tipos de armas
como bastões e espada. Nas horas vagas gostava de tocar violino. De acordo com Watson,
seu amigo era dono de uma força que não parecia lhe pertencer.
Muitas vezes Holmes nem sequer saía de sua residência para resolver os casos, podia
passar dias trancado em seu quarto em um apartamento que dividiu por um longo tempo

com Watson na 221B Baker Street em uma Londres transitória do século XIX ao XX.
O médico John Watson é o narrador de todas as histórias escritas, e até o que se sabe o único e melhor amigo de Holmes.
Para criar o detetive o autor baseou-se em Joseph Bell, seu professor nos tempos de faculdade.
O universo de Sherlock Holmes vai além das páginas dos livros, ganhando espaço em outras artes, não é a toa que é o personagem fictício que mais teve adaptações para cinema, teatro, televisão e rádio.
Ontem, estreiou nos cinemas brasileiros: "Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras" , de Guy Ritchie. Estrelando Robert Downey Jr. como o personagem título e Jude Law como Dr. Watson. Mais uma nova releitura de dois personagens que há muito tempo continuam
conquistando diversas gerações.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Um pouco de poesia - Manuel Bandeira
Para começar o ano resolvi escrever um pouco sobre Manuel Bandeira, um dos percussores e um dos maiores nomes da poesia modernista brasileira. Nascido em 1886 no Recife e faleceu em 1968 no Rio de Janeiro. Inicialmente teve influências simbolistas e parnasianas, muito marcantes em seu livro de estreia "A Cinza das Horas". Seu segundo livro "Carnaval" trouxe marcas do novo movimento que surgia e que se manteve nos livros seguintes , o Modernismo. Uma de suas maiores características foi o lirismo e era um verdadeiro mestre nos versos livres. Escrevia sobre o amor, a morte e o cotidiano sempre com um tom de melancolia acompanhado de ironia e um toque de angústia e amargura.Confira duas poesias de Manuel Bandeira:
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto
Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.
E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Hoje quero...
Escrever no improviso. Ano que vem haverá novidades, pretendo lançar uma nova série para acompanhar o "Um pouco de poesia", depois de muito pensar decidir escrever sobre gêneros literários. A série ainda não tem nome, porém escolhi para começar a escrever com o gênero Romance Policial. Ano que vem ainda falarei sobre Sherlock Holmes, Edgar Allan Poe, o universo de J.R.R.Tolkien, Mangás, HQ's, alguns movimentos literários, e outros temas ao decorrer do ano.
Mudando um pouco de assunto. O "Meu Universo Literário" completou neste mês um ano de existência, para comemorar resolvi escrever um pouco sobre os meus gostos literários que talvez já sejam destacados indiretamente em todos as minhas postagens. Acho que o mais óbvio é que adoro a Literatura Brasileira, me entristeço com falta de valorização desta no próprio país. Um país com uma cultura tão rica se deixando ocultar em baixo das influências estrangeiras e da ignorância de muitos. Amo a poesia modernista, os sonhos do Simbolismo e o ar sombrio e imaginário do Romantismo.
Meus autores favoritos começando pelos poetas são: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles, Cassiano Ricardo, Álvares de Azevedo, Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos. Entre os prosadores estão Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, J.R.R.Tolkien, C.S.Lewis e Conan Doyle.
E para terminar os meus livros favoritos, "Meu Pé de Laranja Lima" de José Mauro de Vasconcelos, "Ciranda de Pedra" de Lygia Fagundes Telles, "Dom Casmurro" de Machado de Assis, "Coração de Tinta" de Cornélia Funke, "Água Viva" de Clarice Lispector, "O Xangô de Baker Street" de Jô Soares. Os contos: "A Pedra Mazarino"(Sherlock Holmes) de Conan Doyle, "O Poço e o Pêndulo", "O Barril de Amotillado", ambos de Edgar Allan Poe. As poesias: "Minha Desgraça" de Álvares de Azevedo, "Imemorial" de Cassiano Ricardo, "Idealismo" de Augusto dos Anjos e há tantas poesias de Carlos Drummond de Andrade que não é possível listá-las. Esta é a última postagem do ano, então até o ano que vem...
Mudando um pouco de assunto. O "Meu Universo Literário" completou neste mês um ano de existência, para comemorar resolvi escrever um pouco sobre os meus gostos literários que talvez já sejam destacados indiretamente em todos as minhas postagens. Acho que o mais óbvio é que adoro a Literatura Brasileira, me entristeço com falta de valorização desta no próprio país. Um país com uma cultura tão rica se deixando ocultar em baixo das influências estrangeiras e da ignorância de muitos. Amo a poesia modernista, os sonhos do Simbolismo e o ar sombrio e imaginário do Romantismo.
Meus autores favoritos começando pelos poetas são: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles, Cassiano Ricardo, Álvares de Azevedo, Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos. Entre os prosadores estão Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, J.R.R.Tolkien, C.S.Lewis e Conan Doyle.
E para terminar os meus livros favoritos, "Meu Pé de Laranja Lima" de José Mauro de Vasconcelos, "Ciranda de Pedra" de Lygia Fagundes Telles, "Dom Casmurro" de Machado de Assis, "Coração de Tinta" de Cornélia Funke, "Água Viva" de Clarice Lispector, "O Xangô de Baker Street" de Jô Soares. Os contos: "A Pedra Mazarino"(Sherlock Holmes) de Conan Doyle, "O Poço e o Pêndulo", "O Barril de Amotillado", ambos de Edgar Allan Poe. As poesias: "Minha Desgraça" de Álvares de Azevedo, "Imemorial" de Cassiano Ricardo, "Idealismo" de Augusto dos Anjos e há tantas poesias de Carlos Drummond de Andrade que não é possível listá-las. Esta é a última postagem do ano, então até o ano que vem...
domingo, 11 de dezembro de 2011
Ler devia ser proibido
Sei que muitos leitores talvez já tenham lido esse texto, porém parece poder descrever tudo o que sentimos perante os livros. Decidi então publicá-lo no blog. Tenho certeza que todos os leitores irão gostar, uma vez que compreendemos aquilo que está nos livros, os nossos mundos paralelos, e no meu caso "meu universo".
LER DEVIA SER PROIBIDO
Por Guiomar de Grammont
A pensar fundo na questão, eu diria que ler
devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os
homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo
insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do
humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os
exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler
aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a
crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao
pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para
fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê
pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo,
induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura
desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a
leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a
leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao
trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão
do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas
para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas
executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer
com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser
longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar
o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o
absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais,
não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela
aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes
estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e
civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência.
Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável
em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres
humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo
administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma
verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os
seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem
suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os
instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez
mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários,
contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos
pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos
se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E
esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem
que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais
subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se
enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido
apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais.
Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara,
não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para
poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem do
submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação
de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o
íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura
ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras
histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a
leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
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