domingo, 11 de dezembro de 2011

Ler devia ser proibido

Sei que muitos leitores talvez já tenham lido esse texto, porém parece poder descrever tudo o que sentimos perante os livros. Decidi então publicá-lo no blog. Tenho certeza que todos os leitores irão gostar, uma vez que compreendemos aquilo que está nos livros, os nossos mundos paralelos, e no meu caso "meu universo".



LER DEVIA SER PROIBIDO
 Por Guiomar de Grammont

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem do submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A Arte de Correr na Chuva

Faz muito tempo que não escrevo sobre um livro, a última vez foi em fevereiro! Já é dezembro e não recomendei nenhum livro desde então!
Escolhi desta vez, "A Arte de Correr na Chuva" de Garth Stein. Uma história que facilmente encantará diversos leitores, principalmente os amantes dos cães.
A história é narrada na primeira pessoa e na voz do mais sincero dos seres, um cachorro chamado Enzo, que na velhice e muito próximo da morte passa a narrar toda a sua vida, sua trajetória, sonhos e todos aqueles que fizeram parte de sua história.
Apaixonado por Fórmula 1, gosto que adquiriu com o dono Denny, Enzo é tão apegado a ele que sonha poder em outra vida nascer como humano, podemos até dizer que é cão com uma alma humana.
Uma verdadeira prova de Amor e Lealdade, este romance mostra o quanto somos capazes de fazer por aquilo que amamos e lutar pelos sonhos e ideias.
 Para quem gostas de cães, Fórmula 1 e histórias marcantes que provocam a reflexão fica a dica para este início de dezembro para os que já estão de férias ou próximos desta.
 Ano de lançamento: 2008
 Editora: Ediouro
 Tradução: Elvira Serapicos
 O livro é um dos best-sellers do New York Times  

domingo, 27 de novembro de 2011

Sem temas hoje...


Já faz algumas semanas que convenci a mim mesma que precisava escrever com mais freqüência neste blog.  Por falta de tempo e talvez dependendo da ocasião a falta de inspiração e imaginação tenham-me atrapalhado durante esse processo.  Nas férias irei escrever com mais freqüência para o meu próprio bem e dos leitores. Hoje, é um desses dias que não tenho bem o que escrever e por estar nesta situação e com a decisão que de uma maneira ou outra iria publicar algo, decidi escrever um texto no improviso.
Ora, ora... Acabei de descobrir que andar sem caminho e na verdade encontrar um caminho. De sem temas, achei um tema para escrever. Talvez não esteja entendendo nada o que é mais provável, mas o tema é próprio improviso, o amigo de todo escritor que necessita de uma solução imediata ou que se encontra sem nada para fazer.   
Seria o improviso um meio de caminhar de olhos vendados ou de correr desesperadamente?  Seria uma forma de resolver nossos problemas ou às vezes de trazer mais problemas? Quem é escritor sabe o que é isso, ter a necessidade de escrever um texto urgentemente por razões profissionais como o jornalista, ou porque falta imaginação e é necessário continuar uma história inacabada ou porque não tem o que escrever mesmo, este último caso é do qual me encaixo neste momento.
Escrever no improviso pode ter dois lados, gerar textos incríveis que nem o próprio autor antes imaginaria escrever ou gerar textos que não são tão bons assim que são mais frutos da falta de inspiração do que o improviso.
Então caro leitor, o improviso tem te acompanhado muito ou você prefere andar sozinho até que a inspiração volte? 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um pouco de poesia - Cecília Meireles


Cecília Meireles é um dos maiores nomes da poesia do século XX. A época em que viveu é destacada pelo movimento Modernista, porém Cecília tinha influências não só deste movimento mais de diversos outros que antecederam a sua época, como por exemplo o Simbolismo, Romantismo entre outros, por isso não é possível  dizer em que escola literária pertenceu. Dona de um estilo de escrita único e marcante, é conhecida pelo seu lado intimista e lírico, abordava temas sobre a vida, a morte, o tempo, sentimentos e estados de espírito. Curiosidade: a poetisa nasceu no dia 07 novembro de 1901 e faleceu em 09 de novembro de 1964. De qualquer forma, parabéns, Cecília, sua memória sempre estará viva.


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias, 
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico, 
se permaneço ou me desfaço, 
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.



Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida, 
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada, 
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva, 
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida, 
a vida só é possível 
reinventada.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Um por todos e todos por um!


Os Três Mosqueteiros é um clássico que já foi adaptado diversas vezes para o cinema, e agora está com uma nova versão, com a previsão de estréia para a metade deste mês. Um filme ousado, cheio de efeitos especiais, com grandes nomes no elenco e o primeiro em 3D.

O filme conta a história do jovem D'Artagnan que  vai a Paris em busca de  se tornar membro do corpo de elite dos guardas do rei, os mosqueteiros. Chegando lá, após acontecimentos singulares, ele conhece três mosqueteiros chamados "os inseparáveis": Athos, Porthos e Aramis.
O elenco conta com Logan Lerman como D'Artagnan; Matthew Macfadyen como Athos; Luke Evans como Aramis; Ray Stevenson como Porthos; Orlando Bloom como o Duque de Buckingham; e Christoph Waltz como Cardeal Richelieu. A direção é de Paul W. S. Anderson.
Vale a pena conferir essa nova versão de uma das histórias mais difundidas no mundo, escrita por Alexandre Dumas.
“ Um por todos e todos por um!”
  Confira o trailer do filme.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Literatura, Atualidade e Vulgarização

  Com o passar dos anos, pouco a pouco a Literatura ganha espaço para a grande população, é claro que está longe de abranger a todos, mas comparado com as décadas anteriores, a Literatura se popularizou.
Porém, como tudo tem um lado negativo, com a Literatura não seria diferente, o preço a pagar é a vulgarização. Primeiro, virou moda escrever livros. Segundo, muitos leitores não sabem ser leitores. Terceiro, as editoras publicam apenas o que convêm a elas, ou seja, aquilo que poderá dar dinheiro. A seguir irei explicar esses três pontos.
 Primeiro, ultimamente estão surgindo muitos autores que escrevem por dinheiro e fama, muitas vezes produzem textos de má qualidade e às vezes utilizando temáticas já existentes.
Segundo, muitos leitores tornam os livros desses autores em best-sellers, em modinhas. Às vezes pode ocorrer que o autor seja bom, mas os leitores, os "fãs" vulgarizam a sua obra.
 Terceiro, as editoras publicam livros que têm mais chances de serem bem vendidos, ou seja, livros best-sellers nem sempre são equivalentes a qualidade.
 Esses três pontos estão sempre interligados, um não existe sem o outro. E nós, admiradores da "Arte de Escrever" somos obrigados a ficar no meio de todo esse conflito, se não formos nós, quem irá manter a Arte?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quem foi o primeiro escritor nascido brasileiro?


Gregório de Matos
 Muitos estudiosos relatam que o Padre José de Anchieta é considerado o primeiro escritor brasileiro, contudo ele não é nascido aqui, é considerado “brasileiro” porque viveu um longo tempo em terras brasileiras e boa parte de sua produção literária foi feita aqui.
 Com exceção da literatura informativa, a literatura brasileira surgiu na Era Barroca no século dezesseis, porém tinha uma forma muito parecida com a literatura portuguesa. O Brasil sendo uma colônia de Portugal não tinha uma plena autonomia literária, sendo que os escritores nascidos aqui tinham a nacionalidade portuguesa, hoje são considerados brasileiros, mas por valores históricos e para não causar confusões fazem parte do grupo de escritores ditos luso-brasileiros, que são escritores com descendência portuguesa ou que nasceram em Portugal, mas que viveram um tempo significativo no Brasil.
 Então quem é o primeiro escritor nascido brasileiro?
 Alguns estudiosos alegam ser Gregório de Matos, este foi o maior representante de sua geração, ainda há Bento Teixeira, autor de "Prosopopéia", que é o primeiro marco da literatura brasileira, e também Manuel Botelho de Oliveira autor de “Música do Parnaso”, o primeiro livro impresso por um escritor brasileiro. Contudo Gregório de Matos não publicou nenhuma obra em vida e a biografia de Bento Teixeira é muito confusa e vaga, por isso há muitas dúvidas sobre suas datas de nascimento e morte e sobre sua nacionalidade, muitos alegam ser português (como se encontra em muitas biografias), mas existem hipóteses que possa ser brasileiro.

Algumas comparações:

Datas de nascimento e morte:

Bento Teixeira: (varia de 1545 a 1565; varia de 1600 a 1618)
Gregório de Matos: (1633 ou 1636; 1695)
Manuel Botelho de Oliveira: (1636; 1711)

 Como podemos analisar as datas referentes a Bento Teixeira são incertas, mas uma certeza é que este morreu antes do nascimento de Gregório de Matos e de Manuel  Botelho de Oliveira, estes dois últimos nasceram numa mesma época, mas como já foi dito Matos não publicou nenhuma obra em vida e Botelho foi o primeiro brasileiro a publicar um livro .
 Existem vários estudos em volta da vida de Teixeira, mas até que se encontre uma resposta para a sua nacionalidade (se é que existe uma resposta definitiva), ainda será uma incógnita a resposta da nossa pergunta. Para você leitor, quem é o primeiro escritor nascido no Brasil?