domingo, 4 de agosto de 2013

A Arte na República Velha - Semana de Arte Moderna de 1922

A Semana de Arte Moderna aconteceu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Houve declamações de poesias, exposições de quadros e esculturas e concertos.É o marco inicial do Modernismo brasileiro. Foi organizada por um jovem grupo de escritores e artistas que queriam transformar, renovar e criar uma Arte autenticamente brasileira.
 Por mais que tivesse tido forte influências de vanguadas europeias, tais como o Futurismo, Dadaísmo entre outros, os artistas modernistas queriam fazer uso dessas influências através de características puramente nacionais quebrando com o passado e com os movimentos anteriores presos aos modelos europeus. Outra característica do movimento era a busca pela liberdade de expressão, o que possibilitou cada artista criar suas obras sem a necessidade de um padrão. Os temas sociais também passam a ganhar destaque no meio artístico.
 Durante as apresentações houve muitas vaias por parte do público que ainda estava acostumada aos padrões anteriores. Depois o evento continuou sendo altamente criticado e foi apenas ganhando a sua devida importância ao decorrer dos anos. 
 Os principais artistas desta semana foram na literatura: Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Plinio Salgado. Na pintura: Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro. Na escultura: Victor Brecheret. Na música: Villa-Lobos. A pintora Tarsila do Amaral não participou da Semana, mas é um nome importante no Modernismo brasileiro.
Graça Aranha também foi um dos organizadores, fazendo o discurso inicial, porém não faz parte oficialmente deste movimento sendo na verdade um autor pré-modernista que apoiava fortemente os "jovens revolucionários".
 O contexto histórico é marcado pela crise do café e pela expansão da industrialização, o que provocou uma rápida urbanização. A pequena burguesia entra em ascenção, enquanto que uma parte da grande burguesia passa a investir na indústria.
  A Semana de Arte Moderna depois transformou-se em outros movimentos, tais como o Movimento Pau-Brasil, o Antropofágico, o Verde-Amarelo entre outros.
 O Modernismo ainda contou com mais duas gerações que surgiram nas décadas seguintes.

Referências bibliográficas:

http://www.infoescola.com/artes/semana-de-arte-moderna/
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=marcos_texto&cd_verbete=344
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/semana22/
http://www.pitoresco.com/brasil/textos/semana.htm

domingo, 7 de julho de 2013

A Arte na República Velha - O Pré-Modernismo

Este e o próximo texto a ser postado são de minha autoria e foram utilizados na verdade para um outro blog utilizado para um trabalho escolar realizado no  ano passado, mas como gostei bastante desses textos resolvi publicar no meu blog pessoal.


Euclides da Cunha
 O Pré-Modernismo não é propriamente um movimento literário, sendo na verdade apenas uma uma época transitória entre os movimentos anteriores(Realismo/Naturalismo, Simbolismo e Parnasianismo)para o Modernismo, em geral seus representantes não seguiam exatamente um mesmo padrão e tinham estilos individuais muito marcantes.Predominou durante as duas primeiras décadas do século XX.
 O início deste século é marcado pela avanço tecnológico. O automóvel, o telefone e o cinema começam a ser popularizar. A Europa sofre com a Primeira Guerra Mundial, enquanto que no Brasil se predomina a política do café-com-leite e quando ocorre diversas revoltas sociais no país inteiro, principalmente no nordeste. Se destacam a Revolta de Canudos, a de Chibata e a da Vacina.
 Desta maneira com excessão de Augusto dos Anjos, a questão social e o regionalismo predominam na literatura.
 Os marcos iniciais foram as publicações de "Os Sertões" de Euclides da Cunha e "Canaã" de Graça Aranha, ambos publicados em 1902.
 "Os Sertões" retrata a Revolta de Canudos, ocorrida no final do século XIX no nordeste, Euclides da Cunha era o colaborador do jornal O Estado de S. Paulo que foi enviado ao local da revolta para acompanhar o acontecido. Foi engenheiro e membro da Academia Brasileira de Letras(ABL).
 "Canaã" dá destaque para imigração alemã no estado do Espírito Santo. É a maior obra de seu autor, Graça Aranha foi um dos membros fundadores da ABL, porém desligou-se dela em 1924 por acreditar que a instituição não correspondia mais ao seus princípios iniciais. Também foi um dos organizadores da Semana da Arte Moderna, porém nenhuma de suas obras escritas durante ou depois deste marco são significativas a esse movimento, por isso é declarado apenas como um autor pré-modernista.
 Os outros autores de destaque foram Lima Barreto, que escreveu "Trite Fim de Policarpo Quaresma", focado no Rio Janeiro, o autor demonstra os problemas sociais urbanos da época. Fez uso de uma linguagem mais simples e coloquial. Mulato e alcoólatra viveu na própria pele o preconceito.
 Monteiro Lobato escreveu o livro de contos "Urupês", os enredos dos contos aconteciam no interior do estado São Paulo, no Vale do Paraíba, na maioria das vezes no meio rural. Nascido em Taubaté, era fazendeiro e advogado. É muito conhecido pelos seus livros infantis.
 Por último Augusto dos Anjos conhecido como o "Poeta do Pessimismo", publicou apenas um único livro "Eu", que depois passou a ser publicado como "Eu e Outras Poesias" para que a sua obra fosse reunida em apenas um livro. Seus poemas são marcados além do pessimismo, pela angústia e pelo sentimento de revolta. Sua obra também é marcada pelo uso incomum de termos científicos ou de palavras considerada anti-poéticas. Tinha fortes influências simbolistas, porém o seu estilo era como já escrito muito individualista.

Curiosidades: A Academia Brasileira de Letras é uma instituição fundada em 1897 no Rio de Janeiro, com o intuito de manter e cultivar a literatura e a língua do país. Teve quarenta membros fundadores, entre eles estão Machado de Assis, Graça Aranha, Medeiros e Albuquerque, José Veríssimo entre outros. Cada membro é vitalício e considerado "Imortal", a entrada de um novo membro só acontece com a morte de outro. Foi inspirada pela a Academia Francesa.

Referências bibliográficas

http://www.brasilescola.com/literatura/pre-modernismo.htm
http://www.algosobre.com.br/literatura/pre-modernismo.html
http://www.infoescola.com/literatura/pre-modernismo/
http://www.academia.org.br/

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Um Pouco de Poesia - Cassiano Ricardo

  Cassiano Ricardo Leite nasceu em São José dos Campos em 1895 e faleceu no Rio de Janeiro em 1974. Talvez seja um dos escritores modernistas menos conhecidos atualmente pelos leitores em geral, mas não há como negar o peso de sua obra para a literatura nacional. Como grande parte dos autores do período, em sua juventude Cassiano iniciou sua carreira de poeta nas bases do Parnasianismo e do Simbolismo, mas não demorou a ser envolver com o Modernismo, participando dos grupos Verde-amarelo e Anta, ambos de cunho nacionalista e integralista, porém desligou-se desses grupos por não possuir as mesmas ideias políticas. De poética lírica e sentimental, nunca esqueceu os anseios intimistas. Passou por diversas fases chegando por último ao Concretismo do qual também teve algumas desavenças. Entre os seus principais livros estão "Martim-Cererê", "Borrões de Verde e Amarelo", "Marcha para Oeste" e "Vamos Caçar Papagaios".
  Fez parte das Academias Paulista e Brasileira de Letras.
 Em sua cidade natal, São José dos Campos, Cassiano Ricardo dá nome para uma fundação cultural que se dedica a divulgar as mais diversas formas de arte, além disso é o maior ícone de arte da cidade.
  Confira duas poesias de Cassiano Ricardo:

A Flauta que me Roubaram

Era em S. José dos Campos
E quando caía a ponte
eu passava o Paraíba
numa vagarosa balsa
Como se dançasse valsa.
O horizonte estava perto.
A manhã não era falsa
como a da cidade grande.
Tudo era um caminho aberto.
Era em S, José dos Campos
no tempo em que não havia
comunismo nem fascismo
pra nos tirarem o sono.
Só havia pirilampos 
imitando o céu nos campos.
Tudo parecia certo.
O horizonte estava perto.

Havia erros nos votos
mas a soma estava certa.
Deus escrevia direito
por pequenas ruas tortas.
A mesa era sempre lauta.
Misto de sabiá e humano
o meu vizinho acordava 
tranquilo, tocando flauta.
Era em S, José dos Campos.
O horizonte estava perto.
Tudo parecia certo
admiravelmente certo.

Imemorial

Não fui que sou, quando nasci.

Nem sou quem sou, quando amo.
Nem quando sofro.
Porque coexisto. Porque a angústia
é uma herança.

Só me aproximo de mim mesmo
quando fujo,
atravesso a fronteira,
ou me defendo, ou fico triste.

Ou quando sinto a rosa
 secreta e quente da vergonha
subir-me à face.

O mar me bate à porta, 
como um grito da origem,
mas como descobrir
a onda imemorial que me trouxe?



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Os Miseráveis

  Estreou nos cinemas brasileiros no dia um de fevereiro o filme "Os Miseráveis", baseado no musical de renome e este baseado na obra do escritor francês Victor Hugo publicado primeiramente em 1862, um verdadeiro clássico literário.
  A história acompanha a vida de Jean Valjean, um homem que foi condenado por roubar pão para matar a fome de seu sobrinho, depois de sair da cadeia passa a ser perseguido por Javert, que acredita fielmente na lei e que fará de tudo para que Valjean não fique em liberdade, pois acredita que um criminoso não pode viver tranquilamente no meio da sociedade. A França, país onde se passa toda a história encontra-se num momento de grandes conflitos na primeira metade do século XIX.
O filme é um musical à moda antiga, quase não há intervalos entre as canções, é inteiramente cantado com exceção de poucas falas que eram ditas em meio a tantos versos, fato que poderá desagradar alguns e empolgar outros. Como tem uma longa duração realmente se torna cansativo, mas quem for fã do gênero ou tiver um pouco de paciência não irá demorar a acostumar com o ritmo do filme e se envolver por completo nos enlaces da história e dos personagens.
 Tem recebido críticas mistas por parte dos especialistas e tem sido aclamado pelo público. E não era para menos o musical recebeu quatro indicações para o Globo de Ouro do qual venceu três(Melhor filme; Melhor ator para Hugh Jackman e Melhor atriz coadjuvante para Anne Hathaway), também recebeu oito indicações para o Oscar, a premiação acontece no final desse mês, além de ser indicado para outras premiações futuras.
  A direção ficou por conta de Tom Hooper(o mesmo diretor de O Discurso do Rei), no elenco grandes atores: Hugh Jackman vai além de suas conhecidas atuações como Wolverine e mostra todo o seu talento como Jean Valjean; Russel Crowe dá a vida a Javert que dessa vez parece não ter agrado muito os críticos; Anne Hathaway interpreta Fantine que cantou "I Dreamed a Dream", música já conhecida do público e uma das mais emocionantes. O elenco ainda conta com Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen, que atuam e cantam pela segunda vez, sendo que a primeira foi no musical de terror Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, a dupla interpreta o casal Thénardier, responsáveis por quebrar o clima pesado que permeia a maior parte da trama com seus atos cômicos. Amanda Seyfried como Cosette, filha de Fantine; Eddie Redmayne como o jovem revolucionário Marius e Samantha Barks como Eponine, filha do casal Thénardier.
  Os Miseráveis promete resgatar o gênero musical que parece estar meio esquecido no meio cinematográfico com seus cenários magníficos e impressionantes,  personagens reais e canções fortes que nos fazem sair do cinema cantarolando-as, e acima de tudo será um daqueles filmes que jamais serão esquecidos por aqueles que se dispuserem a se envolver e se emocionar por uma história arrebatadora que envolve um cunho histórico e sentimentos humanos.  

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Hobbit - Uma jornada inesperada


Um dos filmes mais esperados do ano e também um dos mais controversos. Uma espera de quase dez anos, um orçamento enorme e a polêmica de transformar UM LIVRO numa trilogia cinematográfica.
 Sei que esse texto está saindo atrasado(pois o filme estreou no dia 14), mas dessa vez decidi assistir o filme primeiro para depois escrever algo referente.
 Primeiro, uma pequena resenha deste primeiro filme: Bilbo Bolseiro, um jovem hobbit e habitante do Condado foi certa vez surpreendido com a visita do mago Gandalf, que o convence a sair em uma jornada junto a treze anões que vão em busca da terra de Erebor para poder conseguir novamente todo o ouro roubado e reconquistar o antigo lar, para tal ato teriam que enfrentar  o dragão Smaug que se apossou da Montanha Solitária. 
 Agora, partindo para as críticas pessoais. Como todo bom fã de Tolkien e de sua obra e eu realmente esperei muito tempo por esse filme e acabei por criar grandes expectativas, confesso que estas foram atendidas, porém como já era de se esperar houve muita enrolação, mas acho que não há nada que possa trazer algo de negativo para os fãs, houve muitas lutas com orcs, belos efeitos especiais, aparição de personagens que não aparecem originalmente nessa história e até agora algumas modificações no roteiro.Sinceramente não sei o que esperar dos próximos filmes, uma vez que é desnecessário uma trilogia. Um filme longo ou no máximo dois filmes de média duração seriam o bastante para essa história, mas infelizmente como cinema não é somente uma arte, mas agora também é um negócio que dá dinheiro é 
"necessário" mais do que isso.


 O Hobbit é originalmente um livro de J.R.R.Tolkien, publicado em 1937, prelúdio da obra O Senhor dos Anéis. Tornou-se popular e aclamado pela crítica ainda na mesma época. Seu autor até hoje é considerado um dos maiores nomes da literatura mundial e um dos percussores do gênero de literatura fantástica ao lado de C.S.Lewis(autor das Crônicas de Nárnia).
 O filme tem a direção de Peter Jackson(o mesmo da triologia O Senhor dos Anéis). No elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Christopher Lee,Hugo Weaving, Andy Serkis entre outros. O segundo filme: O Hobbit - A Desolação de Smaug e o terceiro: O Hobbit - Lá e de volta outra vez têm previsão de estreia para 2013 e 2014, respectivamente.  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fanfic - "Uma conversa com Komui Lee" (D.Gray Man - Miranda Lotto)

 ATENÇÃO: O mangá/anime D.Gray Man e seus personagens foram criados por Katsura Hoshino, eu apenas peguei-os emprestados para essa fanfic, também aviso que durante a história pode haver alguns spoilers sobre a história original.


Supervisor Komui Lee
 Seus passos cessaram, encarou a porta da sala do supervisor Komui durante alguns instantes, quando tomou coragem e batera na porta, escutou um estrondo vindo de dentro da sala. Assustada, pensou em correr, mas foi obrigada a se conter, pois a porta abrira e a figura de Komui aparecera.
 - Miranda-san! Estava esperando-lhe, entre, por favor.
 A exorcista entrou olhando ao seu redor e ao canto da sala viu um robô de porte médio caído no chão, o mais estranho era que o robô usava uma boina idêntica a do supervisor.
 - Este é Komurin II, mas infelizmente ele quebrou já faz algum tempo e até agora eu não consegui consertar o seu maquinário. - disse Komui, aproximando-se da máquina com um controle remoto na mão e apertando um botão vermelho repetidamente. - Acho que terei de construir outro quando tiver tempo. Mas, isso não importa agora. - continuou ele, indo em direção a sua mesa do outro lado da sala, indicou o sofá ao centro para Miranda, ela sentou sem tirar os olhos do interlocutor.
  Ele pegou alguns papéis em sua mesa, enquanto relia as informações pela décima vez naquele dia, a sua face que antes tinha um sorriso amarelo por causa do Komurin II, naquele momento ganhara um tom mais sério e austero.
Komurin II em funcionamento
 - Eu não tenho boas notícias, Miranda. Os exorcistas Suman Dark e Allen Walker tiveram suas Inocências destruídas e estão mortos.
 Miranda não conseguiu conter um gemido enquanto colocava as mãos sobre o coração. Ele permaneceu sério, como se já esperasse por essa reação.
 - A busca não pode parar. O general Marian Cross tem que ser encontrado a qualquer custo, mesmo quando o seu discípulo já não possa fazer o mesmo. A sua missão é auxiliar os demais exorcistas para que possam realizar uma viagem segura da China para Edo, no Japão. Tal tarefa só pode ser realizada por sua inocência, pois todos os envolvidos estão machucados e a embarcação sofreu sérios danos e não há tempo para recuperações ou reparos. O sucesso dessa missão depende de você, Miranda Lotto.
 A última frase ressoou por várias vezes na cabeça da exorcista, sempre se achara inútil, mas agora ouvira de outra pessoa que existia quem precisasse de verdade da sua ajuda. Por dentro, entrou em desespero. "Ah, eu não posso ir, não vou conseguir! Se algo der errado, a culpa será minha! Não posso, não posso." Mas, no meio de todas as reflexões, surgiu a voz de Allen dizendo-lhe apenas um obrigado e o seu nome. Ele tivera sido a primeira pessoa que agradeceu-lhe por algo que tenha feito em todo a sua vida, tal situação ocorrera quando descobrira ser compatível com a sua Inocência, porém agora ele estava morto, morrera tentando salvar Suman Dark, exorcista que nem ele próprio conhecia. Pensou também em Lenalee, não podia desampará-los, nem a eles nem a Ordem Negra. Faria o possível e o impossível, daria a sua vida por aquilo que acreditava, assim como Allen.
Lenalee Lee e Allen Walker
 A voz de Komui a fez voltar para a realidade.
 - Por último, quero que leve esses novos uniformes para os demais exorcistas. Fui eu mesmo que projetei, são mais leves e resistentes, assim como o seu. -  falou, fechando uma mala sobre a sua mesa.
 Miranda assentiu levemente com a cabeça, demonstrando uma confiança que ela própria desconhecia.
 Quando retirava-se e já fechava a porta, o supervisor exclamou meio atrapalhado:
 - Ah! Por favor, não perca o finder de vista novamente. - ela sentiu-se vermelha, lembrou-se que se perdera duas vezes antes de chegar ao quartel general, antes que a sua confiança acabasse, Komui terminou de dizer, agora mais sério. - Eu e a Ordem Negra confiamos em você, Miranda-san.

sábado, 17 de novembro de 2012

Fanfic - "Antes da 1° missão" (D.Gray Man - Miranda Lotto)


Começando as novidades no blog com uma série de postagens de fanfics de minha autoria, a primeira "Antes da Primeira Missão" baseado em um dos meus animes/ mangás preferidos: D.Gray Man.

Miranda Lotto era uma exorcista alemã de vinte e seis anos, a sua arma anti-akuma era do tipo equipamento, o Time Record. Sua inocência quando ativada podia controlar o tempo-espaço, ou seja, parar ou reverter o tempo infinitamente, porém quando desativada o tempo voltava ao normal, sendo assim era impossível ressuscitar os mortos, o que lhe deixava muito triste.
Miranda Lotto

ATENÇÃO: O mangá/anime D.Gray Man e seus personagens foram criados por Katsura Hoshino, eu apenas peguei-os emprestados para essa fanfic, também aviso que durante a história pode haver alguns spoilers sobre a história original.

  Miranda abriu os olhos, a sua frente viu o seu uniforme de exorcista pendurado num cabide na maçaneta do guarda-roupa. Estava sentada na cama com as costas encostas na parede. Não sabia se era medo ou ansiedade o que estava sentindo, talvez os dois misturados, a sua primeira missão não tinha data prevista, mas não demoraria a acontecer, já era a terceira noite em que não conseguia dormir. Allen e Lenalee estavam em uma missão em busca do General Marian Cross e pelo o que o supervisor Komui contou-lhe outro exorcista, Suman Dark, havia se tornado um caído. Mal tinha acreditado que uma Inocência pudesse fazer algo de mal ao seu escolhido, porém lembrou-se de que acreditava que a sua Inocência havia lhe testado na sua cidade natal, olhou para as suas mãos sem as luvas que geralmente usava, e nas costas delas duas cicatrizes provocadas por estacas que a obrigaram a ficar presa ao seu próprio relógio. Pensar nele fazia-lhe ficar triste, pois este tivera que ser quebrado para ser retirada a Inocência. Olhou para seu lado, onde estava um disco preto, o Time Record, agora era tudo o que restava de seu adorado relógio. Antes de descobrir ser compatível, sempre se achara inútil, mas agora sabia que tinha pelo o que viver e que era sim útil. Nas poucas semanas em que estivera no quartel General da Ordem Negra aprendera a controlar sua arma anti-akuma, por mais que ainda tivesse muito pelo o que aprender e que também tivesse medo de falhar em sua primeira missão. Pela primeira vez desde que chegara ao quartel sentiu-se sozinha e angustiada.
  Todos os outros exorcistas estavam em missões, em busca de seus generais, mas Miranda não era subordinada de nenhum general ainda. Não sabia lutar, ou melhor, não sabia nem proteger a si mesma, como poderia ser uma exorcista? O supervisor Komui, dissera-lhe que como sua Inocência não tinha nenhum poder ofensivo, ela agiria somente como suporte para outros exorcistas, ela iria proteger os outros. Os generais, naquele momento eram os principais ameaçados do Conde do Milênio, que queria a todo custo encontrar o “Coração”, a Inocência principal, que caso fosse destruída acabaria por destruir todas as demais, o que garantiria a vitória do Conde e do Clã Noah, esse pensamento assustou-lhe, lembrou-se de Road que era cruel e sádica, a criança Noah que conhecera no mesmo dia que descobrira ser compatível com sua Inocência. E no meio de toda essa busca, além de Suman Dark, o General Kevin Yeegar e outros seis exorcistas morreram. Colocou as mãos fechadas sobre o peito como fazia de costume, como se tal ato pudesse proteger-lhe de algo que pudesse fazer-lhe mal, quando deu por si estava tremendo e soluçava baixo, por impulso colocou a mão direita sobre o Time Record, não podia acreditar que poderia ser destruído e ela também poderia ser destruída. “Afinal, o que estou fazendo aqui? Não, a minha vida agora se resume a isso, finalmente sou uma exorcista.”
Time Record
  Uma voz lhe fez voltar a realidade e dissipar seus devaneios, era a voz de Reever que ressoava através de um golem preto em que não havia percebido sua entrada no quarto, a voz dizia que Komui queria que Miranda fosse a sua sala para dizer os detalhes de sua primeira missão que começaria em poucos instantes, a missão era emergencial e não podia ser de forma alguma adiada. Seu coração disparou e ameaçava sair pela boca, entrou em pânico, tinha que ser mentira, era tudo um sonho, ela não estava no quartel General da Ordem Negra, não era uma exorcista, era tudo fruto da sua imaginação. Fechou os olhos fortemente e colocou as mãos na cabeça.” Isso tudo não existe, está tudo apenas na minha cabeça, tem que ser.” A voz de Reever ressoou novamente. “Miranda-san, está me ouvindo? Komui está chamando-lhe para a sala dele, é sobre sua primeira missão e ele pediu para que você se apressasse porque o nosso tempo é curto.” Ela tomou coragem, abriu os olhos e abaixou as mãos, olhou para o golem que a encarava e disse pausadamente: “Eu já estou indo, Líder Reever.” O golem saiu voando. Vestiu o seu uniforme de exorcista, colocou um par de luvas para esconder as cicatrizes e encaixou o Time Record no braço direito, estava pronta. Tomou caminho para a sala do Komui por mais que andasse devagar e tremendo. Era sua primeira missão não podia falhar, era tudo ou nada e preferia que fosse tudo.

domingo, 23 de setembro de 2012

Surpresas...

Depois de muito tempo sem postar nada (desde março!), volto para avisar que irei reformular o blog, trazendo temáticas mais abrangentes e não só voltados para a literatura.
 Aguarde...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Um pouco de poesia - Especial

Hoje é o dia nacional da poesia! Para não passar em branco, escolhi algumas poesias que retratam os próprios poetas ou o ato de "poetar". Além disso hoje é aniversário de Castro Alves, o "poeta dos escravos". Confesso que não foi fácil escolher apenas três poesias para essa postagem, sendo que havia tantas a escolher, por exemplo Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana abordaram muito em suas obras o próprio ato de escrever, porém como já abordei sobre Drummond de Andrade (e depois em uma futura postagem irei escrever mais detalhadamente sobre ele) resolvi optar por Quintana, Florbela Espanca (que depois também terão um momento só deles) e Manuel Bandeira também já abordado.




Simultaneidade

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! 
Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

Mário Quintana


Poetas

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca


O último poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Manuel Bandeira


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gênero Literário: Romance Policial

Para fechar o mês de janeiro, cumpro com a minha promessa e dou início a série "Gênero Literário", com um dos mais populares do mundo: o Romance Policial.
Este gênero literário é caracterizado pela narrativa que gira entorno de um crime a ser resolvido, inicialmente parece não existir solução, porém um dos intuitos desse gênero é mostrar que não existe crime perfeito, ao decorrer do texto surgem à vista do leitor e do protagonista pistas e fatos que podem levar a solução. O protagonista em geral é um detetive, seja profissional ou amador. O antagonista é o criminoso que durante o enredo estará agindo para que não seja descoberto, isso faz com que entre em jogo o psicológico e a história dos personagens.
Edgar Allan Poe
Um dos primeiros expoentes foi o escritor Edgar Allan Poe, muito conhecido na verdade por suas histórias de terror. Poe escreveu "Assassinatos na Rua Morgue", "A Carta Roubada" e "O Mistério de Marie Rogêt", cujo detetive foi C. Auguste Dupin.
O romance policial tornou-se extremamente popular a partir do final do século XIX e  início do século XX, com Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e com Agatha Christie, a Rainha do Crime cujo os personagens mais consagrados foram Hercule Poirot e Miss Marple.
 O gênero Romance Policial já foi encarado como sensacionalista e com pouco valor literário. Contudo é inegável dizer que esses livros se eternizaram no meio literário, digamos que a literatura não é a mesma sem esses personagens ilustres e de mentes brilhantes. Cada detetive tem métodos distintos como Sherlock Holmes com o método científico, mas em alguns pontos se interligam como o uso da observação, por exemplo.
Além dos autores já citados iriei citar apenas mais alguns pois são muitos: Raymond Chandler, Dashiell Hammett e Humberto Eco. No Brasil, Jô Soares, Rubem Fonseca e na literatura infanto-juvenil: Pedro Bandeira. 
Agatha Christie
Opinião pessoal: a Literatura Policial é muito extensa e escrevo de que ela chega a ser viciante, porém é claro com o cuidado com as dosagens e formas como analisamos cada obra. Primeiro, não devemos encara-los de olhos fechados, não pense que a criação desse tipo de livro pode ser feita apenas por um grupo seleto de escritores, pelo contrário, uma dosagem de inteligência, observação e saber interligar os fatos não tornam esses autores inumanos. A graça da leitura desses livros é justamente tentar descobrir o final ao decorrer das páginas, mostrar a nós mesmos que também temos mentes aguçadas.
Confesso que sou muito fã de Conan Doyle, adoro Edgar Allan Poe e Agatha Christie. Porém ultimamente tenho me desapontado um pouco com esse gênero, quando se lê muito e passa-se a analisar criticamente parece que a cada novo caso, os desfechos não são mais tão surpreendentes e que não são façanhas de poucos. O próprio Holmes falou em um dos seus casos o que era necessário para ser um bom detetive: observação, dedução e conhecimento. 

sábado, 14 de janeiro de 2012

A mente mais brilhante do mundo


Sherlock Holmes, o maior detetive da ficção de todos os tempos e uma das maiores figuras 
da literatura universal. Afinal de contas quem nunca ouviu falar nesse nome tão ilustre de 
um detetive consultor que na maioria das vezes fazia de suas armas apenas a observação, 
a dedução e o conhecimento?
Sherlock Holmes e o doutor John Watson são personagens criados pelo escritor e médico 
britânico Sir Arthur Conan Doyle, primeiramente para a história "Um Estudo em Vermelho". 
Com o tempo as histórias desta dupla ficaram tão populares que depois da morte do autor, muitos outros escritores começaram a criar novas histórias para preencher o hiato que fora deixado. Para que se pudesse distinguir as histórias desses autores das originais criadas por Conan Doyle, foram reuniram todos os textos no famoso cânone sherlockiano. Nele estão presentes além do "Um Estudo em Vermelho" mais três romances: "O Signo dos Quatro", "O Cão dos Baskervilles" e o "Vale do Terror" e cerca de 56 contos, totalizando 60 casos.
Dono de uma personalidade excêntrica, Sherlock Holmes era solitário, um tanto pouco 
arrogante e muito inteligente. Seus disfarces eram perfeitos. Quase sempre era dominado 
pela razão invés dos sentimentos. Possuía um vasto conhecimento em vários campos  
como por exemplo História e Química. Lutava boxe, sabia manejar alguns tipos de armas 
como bastões e espada. Nas horas vagas gostava de tocar violino. De acordo com Watson, 
seu amigo era dono de uma força que não parecia lhe pertencer. 
 Muitas vezes Holmes nem sequer saía de sua residência para resolver os casos, podia 
passar dias trancado em seu quarto em um apartamento que dividiu por um longo tempo 

com Watson na 221B Baker Street em uma Londres transitória do século XIX ao XX. 
 O médico John Watson é o narrador de todas as histórias escritas, e até o que se sabe o único e melhor amigo de Holmes.
Para criar o detetive o autor baseou-se em Joseph Bell, seu professor nos tempos de faculdade.
O universo de Sherlock Holmes vai além das páginas dos livros, ganhando espaço em outras artes, não é a toa que é o personagem fictício que mais teve adaptações para cinema, teatro, televisão e rádio.
 Ontem, estreiou nos cinemas brasileiros: "Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras" , de Guy Ritchie. Estrelando Robert Downey Jr. como o personagem título e Jude Law como Dr. Watson. Mais uma nova releitura de dois personagens que há muito tempo continuam 
conquistando diversas gerações.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Um pouco de poesia - Manuel Bandeira

Para começar o ano resolvi escrever um pouco sobre Manuel Bandeira, um dos percussores e um dos maiores nomes da poesia modernista brasileira. Nascido em 1886 no Recife e faleceu em 1968 no Rio de Janeiro. Inicialmente teve influências simbolistas e parnasianas, muito marcantes em seu livro de estreia "A Cinza das Horas". Seu segundo livro "Carnaval" trouxe marcas do novo movimento que surgia e que se manteve nos livros seguintes , o Modernismo. Uma de suas maiores características foi o lirismo e era um verdadeiro mestre nos versos livres. Escrevia sobre o amor, a morte e o cotidiano sempre com um tom de melancolia acompanhado de ironia e um toque de angústia e amargura.
Confira duas poesias de Manuel Bandeira:


Poética

Estou farto do lirismo comedido 
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja 
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!




quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Hoje quero...

Escrever no improviso. Ano que vem haverá novidades, pretendo lançar uma nova série para acompanhar o "Um pouco de poesia", depois de muito pensar decidir escrever sobre gêneros literários. A série ainda não tem nome, porém escolhi para começar a escrever com o gênero Romance Policial. Ano que vem ainda falarei sobre Sherlock Holmes, Edgar Allan Poe, o universo de J.R.R.Tolkien, Mangás, HQ's, alguns movimentos literários, e outros temas ao decorrer do ano.
Mudando um pouco de assunto. O "Meu Universo Literário" completou neste mês um ano de existência, para comemorar resolvi escrever um pouco sobre os meus gostos literários que talvez já sejam destacados indiretamente em todos as minhas postagens. Acho que o mais óbvio é que adoro a Literatura Brasileira, me entristeço com falta de valorização desta no próprio país. Um país com uma cultura tão rica se deixando ocultar em baixo das influências estrangeiras e da ignorância de muitos. Amo a poesia modernista, os sonhos do Simbolismo e o ar sombrio e imaginário do Romantismo.
Meus autores favoritos começando pelos poetas são: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meireles, Cassiano Ricardo, Álvares de Azevedo, Fernando Pessoa e Augusto dos Anjos. Entre os prosadores estão Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, J.R.R.Tolkien, C.S.Lewis e Conan Doyle.
E para terminar os meus livros favoritos, "Meu Pé de Laranja Lima" de José Mauro de Vasconcelos, "Ciranda de Pedra" de Lygia Fagundes Telles, "Dom Casmurro" de Machado de Assis, "Coração de Tinta" de Cornélia Funke, "Água Viva" de Clarice Lispector, "O Xangô de Baker Street" de Jô Soares. Os contos: "A Pedra Mazarino"(Sherlock Holmes) de Conan Doyle, "O Poço e o Pêndulo", "O Barril de Amotillado", ambos de Edgar Allan Poe. As poesias: "Minha Desgraça" de Álvares de Azevedo, "Imemorial" de Cassiano Ricardo, "Idealismo" de Augusto dos Anjos e há tantas poesias de Carlos Drummond de Andrade que não é possível listá-las. Esta é a última postagem do ano, então até o ano que vem...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ler devia ser proibido

Sei que muitos leitores talvez já tenham lido esse texto, porém parece poder descrever tudo o que sentimos perante os livros. Decidi então publicá-lo no blog. Tenho certeza que todos os leitores irão gostar, uma vez que compreendemos aquilo que está nos livros, os nossos mundos paralelos, e no meu caso "meu universo".



LER DEVIA SER PROIBIDO
 Por Guiomar de Grammont

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.
É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem do submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A Arte de Correr na Chuva

Faz muito tempo que não escrevo sobre um livro, a última vez foi em fevereiro! Já é dezembro e não recomendei nenhum livro desde então!
Escolhi desta vez, "A Arte de Correr na Chuva" de Garth Stein. Uma história que facilmente encantará diversos leitores, principalmente os amantes dos cães.
A história é narrada na primeira pessoa e na voz do mais sincero dos seres, um cachorro chamado Enzo, que na velhice e muito próximo da morte passa a narrar toda a sua vida, sua trajetória, sonhos e todos aqueles que fizeram parte de sua história.
Apaixonado por Fórmula 1, gosto que adquiriu com o dono Denny, Enzo é tão apegado a ele que sonha poder em outra vida nascer como humano, podemos até dizer que é cão com uma alma humana.
Uma verdadeira prova de Amor e Lealdade, este romance mostra o quanto somos capazes de fazer por aquilo que amamos e lutar pelos sonhos e ideias.
 Para quem gostas de cães, Fórmula 1 e histórias marcantes que provocam a reflexão fica a dica para este início de dezembro para os que já estão de férias ou próximos desta.
 Ano de lançamento: 2008
 Editora: Ediouro
 Tradução: Elvira Serapicos
 O livro é um dos best-sellers do New York Times  

domingo, 27 de novembro de 2011

Sem temas hoje...


Já faz algumas semanas que convenci a mim mesma que precisava escrever com mais freqüência neste blog.  Por falta de tempo e talvez dependendo da ocasião a falta de inspiração e imaginação tenham-me atrapalhado durante esse processo.  Nas férias irei escrever com mais freqüência para o meu próprio bem e dos leitores. Hoje, é um desses dias que não tenho bem o que escrever e por estar nesta situação e com a decisão que de uma maneira ou outra iria publicar algo, decidi escrever um texto no improviso.
Ora, ora... Acabei de descobrir que andar sem caminho e na verdade encontrar um caminho. De sem temas, achei um tema para escrever. Talvez não esteja entendendo nada o que é mais provável, mas o tema é próprio improviso, o amigo de todo escritor que necessita de uma solução imediata ou que se encontra sem nada para fazer.   
Seria o improviso um meio de caminhar de olhos vendados ou de correr desesperadamente?  Seria uma forma de resolver nossos problemas ou às vezes de trazer mais problemas? Quem é escritor sabe o que é isso, ter a necessidade de escrever um texto urgentemente por razões profissionais como o jornalista, ou porque falta imaginação e é necessário continuar uma história inacabada ou porque não tem o que escrever mesmo, este último caso é do qual me encaixo neste momento.
Escrever no improviso pode ter dois lados, gerar textos incríveis que nem o próprio autor antes imaginaria escrever ou gerar textos que não são tão bons assim que são mais frutos da falta de inspiração do que o improviso.
Então caro leitor, o improviso tem te acompanhado muito ou você prefere andar sozinho até que a inspiração volte? 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um pouco de poesia - Cecília Meireles


Cecília Meireles é um dos maiores nomes da poesia do século XX. A época em que viveu é destacada pelo movimento Modernista, porém Cecília tinha influências não só deste movimento mais de diversos outros que antecederam a sua época, como por exemplo o Simbolismo, Romantismo entre outros, por isso não é possível  dizer em que escola literária pertenceu. Dona de um estilo de escrita único e marcante, é conhecida pelo seu lado intimista e lírico, abordava temas sobre a vida, a morte, o tempo, sentimentos e estados de espírito. Curiosidade: a poetisa nasceu no dia 07 novembro de 1901 e faleceu em 09 de novembro de 1964. De qualquer forma, parabéns, Cecília, sua memória sempre estará viva.


Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias, 
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico, 
se permaneço ou me desfaço, 
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.



Reinvenção

A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida, 
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.

Não te encontro, não te alcanço...
Só - no tempo equilibrada, 
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só - na treva, 
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida, 
a vida só é possível 
reinventada.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Um por todos e todos por um!


Os Três Mosqueteiros é um clássico que já foi adaptado diversas vezes para o cinema, e agora está com uma nova versão, com a previsão de estréia para a metade deste mês. Um filme ousado, cheio de efeitos especiais, com grandes nomes no elenco e o primeiro em 3D.

O filme conta a história do jovem D'Artagnan que  vai a Paris em busca de  se tornar membro do corpo de elite dos guardas do rei, os mosqueteiros. Chegando lá, após acontecimentos singulares, ele conhece três mosqueteiros chamados "os inseparáveis": Athos, Porthos e Aramis.
O elenco conta com Logan Lerman como D'Artagnan; Matthew Macfadyen como Athos; Luke Evans como Aramis; Ray Stevenson como Porthos; Orlando Bloom como o Duque de Buckingham; e Christoph Waltz como Cardeal Richelieu. A direção é de Paul W. S. Anderson.
Vale a pena conferir essa nova versão de uma das histórias mais difundidas no mundo, escrita por Alexandre Dumas.
“ Um por todos e todos por um!”
  Confira o trailer do filme.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Literatura, Atualidade e Vulgarização

  Com o passar dos anos, pouco a pouco a Literatura ganha espaço para a grande população, é claro que está longe de abranger a todos, mas comparado com as décadas anteriores, a Literatura se popularizou.
Porém, como tudo tem um lado negativo, com a Literatura não seria diferente, o preço a pagar é a vulgarização. Primeiro, virou moda escrever livros. Segundo, muitos leitores não sabem ser leitores. Terceiro, as editoras publicam apenas o que convêm a elas, ou seja, aquilo que poderá dar dinheiro. A seguir irei explicar esses três pontos.
 Primeiro, ultimamente estão surgindo muitos autores que escrevem por dinheiro e fama, muitas vezes produzem textos de má qualidade e às vezes utilizando temáticas já existentes.
Segundo, muitos leitores tornam os livros desses autores em best-sellers, em modinhas. Às vezes pode ocorrer que o autor seja bom, mas os leitores, os "fãs" vulgarizam a sua obra.
 Terceiro, as editoras publicam livros que têm mais chances de serem bem vendidos, ou seja, livros best-sellers nem sempre são equivalentes a qualidade.
 Esses três pontos estão sempre interligados, um não existe sem o outro. E nós, admiradores da "Arte de Escrever" somos obrigados a ficar no meio de todo esse conflito, se não formos nós, quem irá manter a Arte?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quem foi o primeiro escritor nascido brasileiro?


Gregório de Matos
 Muitos estudiosos relatam que o Padre José de Anchieta é considerado o primeiro escritor brasileiro, contudo ele não é nascido aqui, é considerado “brasileiro” porque viveu um longo tempo em terras brasileiras e boa parte de sua produção literária foi feita aqui.
 Com exceção da literatura informativa, a literatura brasileira surgiu na Era Barroca no século dezesseis, porém tinha uma forma muito parecida com a literatura portuguesa. O Brasil sendo uma colônia de Portugal não tinha uma plena autonomia literária, sendo que os escritores nascidos aqui tinham a nacionalidade portuguesa, hoje são considerados brasileiros, mas por valores históricos e para não causar confusões fazem parte do grupo de escritores ditos luso-brasileiros, que são escritores com descendência portuguesa ou que nasceram em Portugal, mas que viveram um tempo significativo no Brasil.
 Então quem é o primeiro escritor nascido brasileiro?
 Alguns estudiosos alegam ser Gregório de Matos, este foi o maior representante de sua geração, ainda há Bento Teixeira, autor de "Prosopopéia", que é o primeiro marco da literatura brasileira, e também Manuel Botelho de Oliveira autor de “Música do Parnaso”, o primeiro livro impresso por um escritor brasileiro. Contudo Gregório de Matos não publicou nenhuma obra em vida e a biografia de Bento Teixeira é muito confusa e vaga, por isso há muitas dúvidas sobre suas datas de nascimento e morte e sobre sua nacionalidade, muitos alegam ser português (como se encontra em muitas biografias), mas existem hipóteses que possa ser brasileiro.

Algumas comparações:

Datas de nascimento e morte:

Bento Teixeira: (varia de 1545 a 1565; varia de 1600 a 1618)
Gregório de Matos: (1633 ou 1636; 1695)
Manuel Botelho de Oliveira: (1636; 1711)

 Como podemos analisar as datas referentes a Bento Teixeira são incertas, mas uma certeza é que este morreu antes do nascimento de Gregório de Matos e de Manuel  Botelho de Oliveira, estes dois últimos nasceram numa mesma época, mas como já foi dito Matos não publicou nenhuma obra em vida e Botelho foi o primeiro brasileiro a publicar um livro .
 Existem vários estudos em volta da vida de Teixeira, mas até que se encontre uma resposta para a sua nacionalidade (se é que existe uma resposta definitiva), ainda será uma incógnita a resposta da nossa pergunta. Para você leitor, quem é o primeiro escritor nascido no Brasil?